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A Casa de Maria: Aquisição do terreno sobre o qual surge a casa de Maria

5. Aquisição do terreno sobre o qual surge a casa de Maria

Em conseqüência, padre Jung imediatamente organizou uma terceira expedição sobre a montanha. Diferentemente das anteriores, dela fariam parte somente laicos, com exceção do próprio padre Jung, e ficariam uma semana inteira acampados sobre a montanha com o objetivo de, desta vez, não deixar uma só pedra inexplorada e, portanto, não documentada, não desenhada, não medida ou não fotografada. No que dependesse de padre Jung, a expedição seria decisiva para determinar se, dali em diante, aquelas pedras tornar-se-iam notificadas como ruínas de um “monastério”, conforme indicado pelas mulheres que trabalhavam nos campos de fumo; ou como parte da “Porta da Toda Santa”, como eram conhecidas por Andreas e por cristãos que habitavam o vilarejo de Kirinca; ou se eram aquilo que, de modo desconcertante, havia dito Anna Katharina Emmerick: a casa onde havia passado os últimos anos e, enfim, morrera a Virgem Maria.

A sua semana de pesquisa produziu, além de uma documentação abundante e precisa, dois acontecimentos fundamentais. O primeiro consistiu na descoberta, a cerca de mil e duzentos metros da casa, das ruínas de um castelo..., e irmã Emmerick dissera que nas vizinhanças havia um castelo. O segundo fato ocorreu em conseqüência de uma expedição orientada pelas presumíveis estações da “Via Crucis” - cada uma delas se revelou cuidadosamente estabelecida e simetricamente delimitada, mais do que fora observado anteriormente. Em particular, a estação mais elevada estava disposta em uma seqüência tal, e colocada em um lugar tão particular, que padre Jung se permitiu a batizá-la como estação do Calvário. O único desapontamento foi não encontrar a tumba de Maria.

No Domingo de 23 de agosto de 1891 foi celebrada, próximo à casa, a primeira missa em latim. Foi um acontecimento muito simples: Andreas havia improvisado um altar, aproximando pedaços de madeira. Após, assistido por Andreas com sua mulher e filhas, e também pelos companheiros laicos, padre Jung celebrou a missa. Ela tocou de tal modo os gregos  presentes que eles imploraram para padre Jung permanecer até 27 de agosto, a fim de ele ministrar a cerimônia da sua festa de Assunção. Infelizmente, ele precisava retornar a Esmirna no dia 26 para o início do retiro anual dos Lazaristas.
   
Transcorrera apenas um mês daquela cética primeira exploração, organizada de maneira um tanto relutante, à procura do... santo tesouro, e o interesse já se deslocava da identificação da casa – sobre a questão, rapidamente, estava se formando um consenso – para como encontrar um modo de proteger um bem que já era considerado único no mundo.

A forma mais segura era adquiri-lo. Mas se colocavam grandes obstáculos a esta solução: encontrar o proprietário do terreno, depois obter o dinheiro para comprá-lo e, em fim, convencer o proprietário a vendê-lo. O primeiro problema foi superado com facilidade surpreendente e um lance de sorte. Em 27 de janeiro de 1892, os padres Poulin e Jung, com um amigo experiente em negócios, monsenhor Binson, da Companhia Imperial Otomana de Tabaco, estavam viajando de trem, rumo a Ayasoluk, a fim de realizarem discretas pesquisas sobre a propriedade do terreno nas cercanias de Éfeso, quando, em seu compartimento, entra um jovem grego. Por uma feliz coincidência, Binson conhecia o empregador do jovem e, por uma coincidência ainda mais feliz, ele sabia que o terreno em questão era de propriedade conjunta do Bey  de Arvaia, um nobre turco muito conhecido, e do seu libertino neto Ibrahim. Mas não só isso, ele estava também ao par que, exatamente naquele momento, ambos precisavam de dinheiro.

Sem perder tempo, recém chegados a Ayasoluk, os dois religiosos e Binson marcaram um encontro com o Bey, que os recebeu naquela mesma tarde. Depois de uma elaborada troca de cortesias e de uma conversa cerimoniosa mantida por horas, Binson, o único dos três visitantes em condições de falar turco, levantou a questão da compra da propriedade do Bey, em Éfeso. Bey diz que iria pensar a respeito.

Após terem, venturosamente, resolvido, com uma só viagem, um e meio dos três problemas, os visitantes retornaram a Esmirna com as boas novas.  Ali foram recebidos com notícias ainda melhores. Irmã Marie de Mandat Grancey, que tinha acreditado na casa de Maria desde o início, estava disposta a mexer no seu patrimônio privado para adquirir a propriedade. Com esta finalidade, em 27 de fevereiro, ela depositou 45.000 francos na sede de Esmirna do Crédit Lyonnais, em uma conta especial aberta especialmente para a aquisição. Agora, só restava esperar pela decisão de Bey.

E foi necessário esperar... Por meses, o astuto e idoso senhor turco não fez mais que tecer a sua teia, recorrendo a todas as táticas dilatórias inimagináveis, tentando, por um lado, aumentar o preço e, por outro, buscar financiamentos alternativos. Diversas vezes o acordo pareceu a ponto de ser firmado, com o Bey desistindo no último momento. Finalmente, em 15 de novembro de 1892, a espera acabou. Era o aniversário de padre Poulin e naquela manhã, enquanto ele saia da mesa às 8h30, lhe foi entregue um telegrama que dizia, simplesmente: Buonne fête. Affair terminée. Binson .

Binson conseguiria fechar o negócio na tarde anterior. O preço final somava 31.000 francos. A propriedade, que correspondia a um total de cento e trinta e nove hectares, tinha dois quilômetros de comprimento e a largura média de um quilômetro. Ela foi registrada sob o nome da irmã Marie de Madat Grancey.

Duas semanas mais tarde, padre Poulin decidiu que era chegado o momento de fazer algo que ele havia postergado por dezesseis meses. Foi a Esmirna, ao arcebispo Timoni e lhe falou da descoberta sobre a Colina dos Rouxinóis. Embora ele se mostrasse perplexo com a notícia inesperada, conforme padre Poulin esperava, o arcebispo se mostrou fascinado. Disse sempre haver pensado que Maria tivesse morrido em Éfeso. De fato, ficou tão entusiasmado com a notícia que anunciou imediatamente a sua intenção de guiar ao local uma delegação oficial. E já na manhã seguinte, criou uma comissão de pesquisa formada por doze dignitários (sete homens da Igreja, entre os quais o padre Poulin e Jung, e cinco laicos) que o acompanhasse a Éfeso. Ao padre Poulin, surpreso pela decisão realmente inesperada, tocou a tarefa de executar todos os preparativos necessários.

Na quinta-feira pela manhã, 1º de dezembro de 1892, a delegação guiada pelo arcebispo Timoni, mais Pelecas e Constantin Grollot, chegou à estação de Ayasoluk, onde foi recebida por Binson, que havia providenciado cavalos para todos. Também Andreas e Mustafá integravam a companhia. O grupo deixou a estação e se dirigiu rumo à nova propriedade de irmã Grancey, que foi alcançada em torno das 11h. Após diversas horas transcorridas examinando as ruínas da casa de Maria e o entorno, e a confrontá-las com a descrição de Anna Katharina Emmerick, e depois de ter conferido demoradamente entre eles, o idoso prelado e os seus companheiros retornaram a Esmirna. Ali, o arcebispo Timoni redigiu um longo documento que descrevia em detalhes as suas descobertas e mostrava que elas correspondiam exatamente às descrições da Vita della santa Vergine Maria, de Anna Katharina Emmerick. O documento, que foi subscrito por todos os membros da comissão, concluía que as “ruínas de Panaghía-Capouli eram, verdadeiramente, os restos da casa habitada pela Virgem Maria”.

Finalmente, a Igreja havia se pronunciado. 

[continua...]

Donald Carrol, A CASA DE MARIA. Uma história maravilhosa: Como foi descoberta em Efeso a casa da Virgem Maria.

Tradução do italiano
Cláudia Rejane Turelli do Carmo

La Casa di Maria - Una storia meravigliosa: come fu scoperta a Efeso l'abitazione della Vergine Maria

Edição italiana
Edizioni San Paolo s.r.l, 2008
www.edizionisanpaolo.it 

Tradução do inglês
Paolo Pellizzari
ISBN 978-88-215-6227-3

Título original da obra:
MARY’S HOUSE. The straordinary story behind the Discovery of the house where the Virgen Mary lived and died.
Primeira publicação na Grã-Bretanha por Veritas Book, em 2000.
 



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  • Oriundi

    Giornalismo fatto con passione