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A Casa de Maria: Outra descoberta: uma “Via Crucis”

4. Outra descoberta: uma “Via Crucis”

Quando, naquela tarde, o pequeno grupo de exploradores chegou à pousada de Ayasoluk, padre Vervault, em seu diário, sintetizou os eventos daquela jornada, com a eloqüência direta, originada do triunfo e do cansaço: “Procuramos... e a encontramos!”.

Lamentavelmente para as gerações futuras, padre Vervault teve de partir, no dia seguinte, rumo à Esmirna, a fim de estar de volta a Santorini, na semana seguinte, enquanto padre Jung seguia em direção oposta, a Azizé e Dermen-Dérési, com a finalidade de informar os religiosos sobre aquilo que haviam encontrado. E foi somente na tarde do dia posterior, na sexta-feira 31 de julho, que padre Young e os seus companheiros retornaram ao local da sua descoberta. Desta vez, trataram de pegar outra estrada, o que, porém, se revelou uma má idéia: era ainda mais cansativa do que aquela tomada na vez anterior, tanto que o próprio padre Young se sentiu mal a algumas centenas de metros da casa. Tomás foi buscar um pouco de água fresca e, depois de alguns minutos, procurou reanimá-lo. Eram duas horas da tarde quando alcançaram a casa.

Padre Jung transcorreu a maior parte da tarde estudando as ruínas e, depois, o complexo do lugar, resmungando, de tanto em tanto, consigo mesmo. Contemplou os oito estupendos plátanos que circundavam a casa, ligados um ao outro, por cima das ruínas descobertas, de troncos imponentes e veneráveis pela idade. Em frente à casa, um pouco mais abaixo, sobre um terreno eirado, descobre os restos de uma cisterna redonda, conectada, por meio de um canalete artificial, ao lado da casa, onde aflorava a nascente. Ainda mais importante: acima, atrás da casa, ele encontrou algumas rochas com inscrições em hebraico. Katharina Emmerick havia dito que alguns colonos hebraicos viviam na zona montanhosa, antes da chegada de Maria, e que a própria Maria havia usado pedras com inscrições em hebraico para criar a sua “Via Crucis”. Se existia necessidade de comprovações claras, não havia nenhuma mais evidente do que esta.

Um testemunho menos tangível, mas não menos importante, se manifestou naquela tarde. Padre Jung e os seus homens haviam previsto passar a noite na montanha, e o jantar com Andreas e a família foi uma ótima ocasião para sondar a tradição oral sobre a casa. Veio a saber, entre outras coisas, que Andreas vivia ali há trinta anos e que antes dele viera o seu pai, e a população do seu vilarejo estivera sempre ali a pregar em memória da santa Virgem. Padre Jung quis saber se o lugar ficara conhecido com algum nome particular. Sim, disse Andreas, era conhecido pelas pessoas do seu vilarejo como Panaghía-Capouli, a “Porta da Toda Santa”. Acrescentou, ainda, que eles eram as únicas pessoas que se arriscavam a vir ali. Todos os outros se mantinham ao largo, por medo dos perigosos bandidos que infestavam a montanha.

Ao fim de uma jornada pesada, mas plena de satisfação, todos dormiram bem, sob o grande dossel dos plátanos, com exceção de Tomás que transpôs a noite, sentado, com o fuzil no colo, fazendo a guarda e prestando atenção ao menor rumor.

Passaram a manhã de sábado sobre a montanha, de modo que padre Jung pode fazer um adicional circuito de inspeção, depois desceram ao vale e então seguiram de trem a Esmirna, no final da tarde. No dia seguinte, padre Jung foi encontrar padre Poulin para lhe contar sobre a sua viagem. O seu relato se encerrou com a opinião de ter, verdadeiramente, encontrado a casa onde morrera a Virgem Maria. Padre Poulin nada fez para disfarçar o seu estupor ao ouvir isto. Padre Jung – para todos, “a voz da razão”, o intransigente mantenedor do método científico, o adversário dos místicos – estava, efetivamente, dando razão àqueles “sonhos a olhos abertos, típicos das meninas” que, anteriormente, havia denunciado com tanto furor?

Neste caso, reconheceu padre Poulin, não restava alternativa além de ir ver, pessoalmente, aquela casa que estava provocando tanta agitação. De preferência cedo, ao invés de tarde. 

Padre Jung define o momento propício: na noite de quarta-feira, de 12 de agosto de 1891, os dois padres estudiosos se encontraram no Hospital Francês, jantaram por algum tempo e, depois, se recolheram para dormir algumas horas, antes de pegarem o trem de mercadorias que partiria para Esmirna, pouco depois da meia noite. Por insistência de irmã Grancey, eles levaram condigo o jardineiro do hospital, Constantin Grollot, que possuía fama de ser um bom atirador e, portanto, poderia usar o fuzil em defesa deles. Foi uma viagem penosa. Não havia poltronas nem bancos no vagão; a noite, sem lua, era fresca e eles eram, constantemente, jogados de um lado para o outro, a cada intervalo do trem, que parava mesmo nas menores estações do trajeto. Quando, finalmente, atingem o destino, eles associam quase como uma purificação, a escalada matutina sobre a montanha.

Eram recém chegados na casa e padre Poulin começa a examinar o lugar e a procurar por tudo o que fosse possível confrontar com as particularidades, referidas por Emmerick: a dimensão e a forma da casa, a disposição dos cômodos, o pequeno córrego, as formações das pedras sobre a colina atrás da casa, a vista do mar e também de Éfeso pelo cume. Um pouco de cada vez, singularidade após singularidade, as suas dúvidas começaram a se dissolver como neve ao sol. Porém, perguntas continuavam a aparecer: Por exemplo: onde se encontrava o fogão que dividia o cômodo principal? Padre Jung o considera no lugar indicado por irmã Emmerick, depois lêem passagens de relevo que tratavam de outros aspectos da casa em relação a ele: tudo se enquadrava! Mas o que era feito do segundo cômodo, da outra parte relativa ao quarto de Maria? Certo, não existia mais, no entanto permaneciam os sinais de uma passagem em arco que devia ter sido a entrada de qualquer coisa. E, enfim, o pequeno vestíbulo na entrada da casa: por que irmã Emmerick não o havia mencionado? Impossível dar uma resposta, mas, no contexto tanto da casa quanto das visões, se tratava de algo, seguramente, irrelevante. 

Naquela noite, na volta à pousada de Ayasoluk, onde eles pernoitaram antes do retorno a Esmirna, padre Poulin não estava disposto, ainda, a admitir ter dirimido todas as suas dúvidas sobre a Colina dos Rouxinóis, entretanto elucidara o suficiente para saber que agora tinham a sacrossanta responsabilidade de se ocuparem daquilo que, fosse o que fosse, haviam descoberto.                 

[continua...]

Donald Carrol, A CASA DE MARIA. Uma história maravilhosa: Como foi descoberta em Efeso a casa da Virgem Maria.

Tradução do italiano
Cláudia Rejane Turelli do Carmo

La Casa di Maria - Una storia meravigliosa: come fu scoperta a Efeso l'abitazione della Vergine Maria

Edição italiana
Edizioni San Paolo s.r.l, 2008
www.edizionisanpaolo.it 

Tradução do inglês
Paolo Pellizzari
ISBN 978-88-215-6227-3

Título original da obra:
MARY’S HOUSE. The straordinary story behind the Discovery of the house where the Virgen Mary lived and died.
Primeira publicação na Grã-Bretanha por Veritas Book, em 2000.
 



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Seu comentário

  • Oriundi

    Giornalismo fatto con passione