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135 anos da Imigração Italiana [pt]
quinta-feira - 29/07/2010

Victor José Faccioni*                                                                         

Mais de 7 milhões de Italianos! Número impressionante! Essa foi, segundo o IBGE, a quantidade de italianos que vieram para o Brasil, entre 1860 e 1920. É muita gente... e boa gente, hoje ítalos-brasileiros e ítalos-gaúchos.

Veja-se, assim, o quanto são importantes as ações governamentais para um País e quanto  podem influenciar na estabilidade econômica e social de um povo. A Europa envolvida, desde sempre, em disputas territoriais e políticas  incrementadas desde meados da Idade Média, levava ao povo, então vassalos de Senhores Feudais e Ducados, e de   Reinos construídos pelo poder da espada, à incertezas, pobreza e nenhuma propriedade onde pudesse trabalhar e produzir sossegados. No Século XIX a Itália ainda conturbada com seus problemas de unificação dos reinos lá existentes, e os Países Americanos querendo urgentemente  ocupar terras para consolidar sua posse, entre eles o Brasil, vinham tratando de promover a vinda de Europeus, para a América.

Por iniciativa da esposa de Dom Pedro I, Dona Leopoldina, Princesa de origem Austríaca, foi promovida a vinda de imigrantes alemães já em 1824. Depois os olhos voltaram-se para a Itália. Com uma iniciativa conjunta dos Governos Brasileiro e Italiano, foi incentivada por farta propaganda em   toda a Itália, o interesse do Brasil, que prometia Terras e Ferramentas, Sementes e Transporte para todas as famílias que para cá quisessem vir.

 Ora... aquele valoroso e bravo  povo italiano,  simples, humilde e trabalhador, conhecedor da terra, dos cultivos e dos ofícios, enfrentando uma amarga pobreza, sem vislumbrar  um futuro  menos  penoso e mais confortável, encontrou nesta heróica decisão de para cá virem,  a possibilidade de construírem um futuro e sua felicidade. No Rio Grande do Sul, foram mandados para as montanhas das serras gaúchas desabitadas, e hoje sede de belas e pujantes cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi, Carlos Barbosa, Veranópolis, e outras,  ou para as terras “dobradas” no centro do Estado, numa região então chamada de “Quarta Colônia”, desde Santa Maria a, hoje, Silveira Martins, São João do Polesine, Faxinal do Soturno, Vale Vêneto e outras.

Todas terras eram de florestas, com enorme variedade de árvores, especialmente o pinheiro araucária, cujo fruto, o pinhão, inúmeras vezes alimentou as famílias, enquanto o milho florecia, as hortaliças cresciam e o trigo vicejava. Até cortarem as árvores e delas fazerem taboas para construção de uma casa, dormiam ao pé de  frondosas árvores ou em cavernas naturais, e disputavam suas lavouras com uma imensidão de aves, macacos-bugios, coatís, raposas e onças.

Mas... vieram, viram e venceram....Os “talians”, hoje descendentes dos que de lá vieram, por si, por seus pais, ou por seus filhos, produziram uvas e vinhos e construíram empresas e cidades orgulho do Rio Grande e do Brasil, e a esses heróicos imigrantes de quem hoje descendemos e disso muito nos orgulhamos, prestamos nossa reconhecida homenagem e profundo respeito, sem esquecer, na História Gaúcha, italianos como Giuseppe Garibaldi, Rossetti, Tito Livio Zambecari e milhares de honrados nomes que, anônimos, são hoje lembrados e festejados por seus filhos, netos, bisnetos e tetranetos. 

Neto que sou de imigrantes italianos, sumamente honrado, saúdo a todos os ítalos-descendentes pelos 135 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul e  que aqui seguem construindo um grande Estado. Saúdo, igualmente, a todos demais gaúchos dessa nossa querência, ou espalhados pelo Brasil, das demais origens étnicas, num formidável, democrático e exemplar caldeamento de raças que caracteriza não só o Gaúcho, mas todos os Brasileiros.

*Conselheiro do Tribunal de Contas/RS
Presidiu a Comissão Central do Biênio da Colonização e Imigração em 1974/75
vjfaccioni@gmail.com






Redação revista eletrônica Oriundi

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