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Gramado anuncia atrações
quarta-feira - 30/06/2004

Apesar do número recorde de competidores, mostra de filmes convidados chama mais atenção no 32º Festival de Cinema

À primeira vista, a mostra hors-concours do 32º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino é mais atraente do que os longas-metragens brasileiros de ficção que disputarão os troféus Kikito, de 16 a 21 de agosto. Os filmes foram anunciados ontem pela manhã, em Porto Alegre (RS), em evento que também apresentou os concorrentes das outras categorias: longa-metragem latino de ficção, documentário brasileiro, curtas em 16mm, curtas em 35mm e Mostra Gaúcha.

Fora de competição, serão exibidas duas aguardadas cinebiografias - Olga, de Jayme Monjardim, que abrirá o Festival, e Garrincha, de Milton Alencar Jr. -, a estréia do diretor e roteirista José Roberto Torero em longa-metragem (Como Fazer um Filme de Amor) e Contra Todos, produção de Roberto Moreira badalado no último Festival de Berlim.

Na briga pelos Kikitos de longa-metragem brasileiro de ficção estão títulos que, pelo menos junto à imprensa, não criaram tão grande expectativa.

Dois motivos ajudam a explicar essa aparente falta de impacto do concurso: está cada vez mais difícil obter filmes inéditos - uma característica essencial de Gramado -, devido à proliferação de festivais pelo Brasil, e, como segredam membros da comissão de seleção, há diretores e produtores que preferem exibir seus trabalhos fora de competição, talvez com o receio de que sair de mãos vazias gere uma repercussão muito negativa.

Mas, em um ano com recorde de inscrições - 47 filmes -, Gramado deu vez ao que o crítico Luiz César Cozzatti, membro da comissão de seleção, considera uma tendência mundial: a abordagem de temas sociais e políticos.

- Os cineastas estão maduros para tirar os cadáveres do armário. Os brasileiros estão sintonizados com Michael Moore, por exemplo. Chegou a hora de enfrentar tabus, como a Guerrilha do Araguaia, de encarar o preconceito - considera Cozzati.

A lista dos concorrentes da categoria inclui Araguaya, Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque, sobre a resistência armada à ditadura militar no Brasil, e As Filhas do Vento, estréia na ficção do documentarista Joel Zito Araújo (de A Negação do Brasil), sobre os fantasmas da escravidão e do racismo em uma cidadezinha do Interior. Competem ainda Procuradas, definido como um "pseudodocumentário" sobre garotas de programa, Vida de Menina, sobre uma adolescente em um Brasil que acaba de abolir a escravatura e proclamar a República, e a versão cinematográfica de O Quinze, romance de Rachel de Queiroz sobre o drama dos retirantes nordestinos.






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