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Prisão de brasileiros na Itália em fraudes da Cidadania poderá ter inquérito da PF

A iniciativa partiu do adido da Polícia Federal na embaixada do Brasil em Roma, Fernando Segovia, que enviou uma carta ao deputado Luis Roberto Lorenzato, eleito pela circunscrição América do Sul, pedindo informações sobre o esquema envolvendo brasileiros na Itália.

O objetivo é investigar se existem pessoas no Brasil que façam parte do esquema e possíveis fraudes financeiras, em vista do alto volume de recursos financeiros movimentados. 

“Assim, os parabenizamos pelo sucesso desse inquérito e, ao mesmo tempo, nos colocamos à disposição para qualquer ajuda e pedimos informações para abrir uma investigação por parte da Polícia Federal no Brasil, que possa ajudar conjuntamente as autoridades brasileiras e italianas a encerrarem as atividades dessa máfia dos coiotes”, escreveu o adido.   

Operazione Super Santos

A "Operazione Super Santos" realizada em 34 municípios italianos, no Piemonte, norte da Itália, desbaratou o esquema que movimentou cerca de 5 milhões de euros. As 800 cidadanias italianas concluídas – além das 200 em andamento - serão canceladas.

A investigação envolveu meses de intercepções telefônicas, operações em aeroportos e lugares de chegada, além de centenas de averiguações nos imóveis onde os brasileiros ficavam alojados.

Na operação, foram presos dois casais que residiam na província de Verbano-Cusio-Ossola e em Domodossola, mais uma pessoa de vinte e dois anos e um pároco de Pádua, no Vêneto, acusado de falsificar certidões de batismo. A quadrilha gerenciava cerca de 60 apartamentos, na região, onde acomodava os solicitantes.

7.000 euros

Segundo a política de Verbania, ao preço de 7.000 euros, a quadrilha oferecia aos clientes, no processo de cidadania, certidões de nascimento falsas, hospedagem e até excursão ao lago Maggiore e degustação de produtos típicos. 

As agências prestavam um serviço completo que, no prazo de três dias de espera, garantia a preciosa certificação. 

Os suspeitos cuidavam da recepção no aeroporto de Malpensa, alojamento em várias acomodações localizadas entre o alto Novarese e Verbano-Cusio-Ossola, pedido de residência e, em seguida, a cidadania para finalmente obter um passaporte.

“Em poucos dias percebemos que algo não estava certo e nós intervimos"

A investigação foi desencadeada a partir do questionamento do prefeito do comune de Macugnaga, Stefano Corsi, que ficou surpreso ao observar o elevado número de pedidos de residências feito por cidadãos brasileiros. Logo, outros prefeitos da região manifestaram a mesma preocupação. 

“Em poucos dias percebemos que algo não estava certo e nós intervimos", explica o prefeito.
"Começamos com duas famílias brasileiras que haviam alugado apartamentos em Isella - diz Corsi - mas eram famílias numerosas que moravam em quartos pequenos. Nossa funcionária Lucia, que é muito atenciosa, ficou desconfiada e nos informou sobre isso: achamos bom informar a polícia ''. 

Os brasileiros presos são donos de agências com escritórios em Omegna, Armeno, Ornavasso e Domodossola que ao longo dos anos obtiveram 800 cidadanias italianas “jure sanguinis”, apresentando documentos falsos que comprovariam a descendência italiana de seus clientes.

Com informações do jornal online Varesepress e ANSA