Facebook

Procuradoria da República de Roma recebe denúncia contra grupos no Facebook

O advogado Luiz Scarpelli, inscrito no Conselho das Ordens dos Advogados em Roma e em cinco estados brasileiros (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás), que atua na área de cidadania italiana pela via judicial em Roma, ingressou, nesta terça-feira (23), com uma denúncia crime, na Procuradoria da República de Roma – equivalente ao Ministério Público brasileiro. 

Anexado ao documento, um pen drive contendo informações sobre assessores que trabalham com a via administrativa na Itália, com nomes, fotos, endereços de sites, perfis e grupos do Facebook, com possíveis evidências da incitação à prática de crimes, tais como falsificação de documentos para obter a cidadania italiana, com orientações sobre como enganar os municípios e os cartórios de registros civis na Itália com residências falsas, mentir para a imigração nos aeroportos italianos, lavagem de dinheiro, entre outros.

Conforme Scarpelli, criador da “corrente do bem”, movimento que visa denunciar os crimes no âmbito da cidadania italiana pela via administrativa no Brasil e na Itália, o objetivo do material entregue é municiar órgãos da justiça italiana com provas que poderão ser úteis para as investigações que visam erradicar o fenômeno da “máfia da cidadania italiana” que, segundo ele, movimentou, nos anos de 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, cerca de 175 milhões de euros, com a realização de 40 mil práticas. 

No documento, o advogado relata que, ao longo dos últimos três anos, tem acompanhado falsos grupos de ajuda no Facebook e no WhatsApp e que foi criada uma verdadeira fábrica de cidadanias ilegais o que contaminou a Itália. “O principal grupo denominado Cidadania Italiana Área LIvre, no Facebook, tem cerca de 140 mil participantes”, afirma Scarpelli.

“É incrível ver o que eles fazem, porque eles têm certeza da impunidade deste negócio criminoso multimilionário. Os líderes que controlam esse grupo no Facebook hoje são mostrados nos documentos e nas provas anexadas. Eles também têm moderadores e assistentes, que trabalham em ‘rodízio’, 24 horas por dia” – afirma Scarpelli.

Na denúncia entregue à Procuradoria em Roma, ele faz referência à campanha de difamação que sofre nas redes sociais, desde que iniciou a série de denúncias contra as ilegalidades cometidas por assessores da cidadania italiana:

"Eu nunca imaginei que poderia estar envolvido em uma situação embaraçosa e covarde como essa. Da documentação que possuo, que fornecerei no anexo a esta carta, não poderá escapar ao Honorável Procurador Geral que, nesta história lamentável, a realidade criminosa tenta manchar meu nome imaculado, com difamações e falsas acusações contra mim, com a esperança de obter crédito entre aqueles que freqüentam os grupos de redes sociais com perfis falsos e, assim, atraírem clientes potenciais e desavisados para a rede" – afirma.

Em abril deste ano, Luiz Scarpelli fez denúncia formal, dos mesmos crimes arrolados no documento entregue à Procuradoria em Roma, a órgãos da justiça no Brasil, entre eles a  Polícia Federal, o Ministério da Justiça, a Procuradoria Geral da República, o Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil e a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

- Estou atuando com firmeza nesta situação, ajudando e fornecendo evidências para os órgãos de investigação brasileiros e italianos para que a polícia, em ambos os países, bloqueie permanentemente a máfia da cidadania italiana no Brasil e na Itália – afirma Scarpelli.

No âmbito da denúncia apresentada, o advogado Scarpelli também menciona o genealogista Daniel Taddone, presidente do Comites de Recife, que em vídeo teria feito manifestação visando desacreditar e atingir a sua imagem profissional, além de defender a residência de um dia na Itália para a prática da cidadania italiana. 

Procurado, Daniel Taddone informou que não exerce atividade remunerada ligada à cidadania italiana ou à genealogia e que não possui qualquer responsabilidade pelo grupo "Cidadania Italiana - Área Livre", onde nunca manteve qualquer posição administrativa e nem 'privilégio'. Referente à sua manifestação sobre a residência de um dia na Itália para fins da cidadania italiana, ele afirmou que "uma vez verificada a residência de um cidadão por um funcionário municipal italiano, um dia de residência já constitui residência, pois nenhuma lei ou dispositivo legal estabelece prazo mínimo para que tal situação jurídica se estabeleça". Taddone também declarou que vem sendo ridicularizado diariamente pelo “advogado denunciante” e que aguarda "a revelação das 'inúmeras provas' de ilícitos cometidos em grupos de Facebook. 

LEIA AQUI O DOCUMENTO QUE FOI ENTREGUE À PROCURADORIA DA REPÚBLICA DE ROMA

(Matéria atualizada em 26/07/2019 - 15:44)