UIL

Em Roma, Woody Allen se diz pessimista, ateu e sentimental

"Tenho uma visão muito pessimista da vida, meu olhar é terrivelmente obscuro", disse Allen à imprensa, antes de aplicar sua filosofia à recente vitória nas eleições americanas de George W. Bush e falar abertamente de "tragédia".

"A vitória de Bush confirmou minha visão trágica da vida e as mais tétricas sensações. Não se podia esperar nada diferente. Quanto ao mais, é a democracia: queriam o pior e conseguiram."

O cineasta nova-iorquino justificou sua dedicação à comédia, apesar do seu pessimismo, por sua casual veia de escritor cômico, mas confessou que se tivesse a possibilidade de escolher, teria preferido ter uma veia trágica.

Sem deixar essa linha de reflexão, disse que o sentido trágico "predomina sempre, os momentos cômicos são banais em relação ao sentido da tragédia que envolve a humanidade, são pequenos oásis em um imenso mar, que leva inexoravelmente para o fim do planeta".

Depois se mostrou muito crítico com o que chamou "as religiões organizadas", que na sua opinião são "uma perda de tempo", e presumiu ser ateu "agora e para sempre", antes de admitir que no máximo o homem podia ser agnóstico.

"Entre ciência e religião escolhi a ciência, a física moderna está nos dando cada vez mensagens mais tristes sobre o universo e acho que o que nos dirá no futuro não será nada agradável", acrescentou.

Pessimista e ateu até a medula, Woody Allen falou também sobre seu filme, que estréia agora em toda a Europa, antes de chegar em março às telas dos EUA, e disse que continua preferindo as mulheres como protagonistas porque são "mais complexas e interessantes".

Antes de deixar Roma a caminho de sua querida Veneza, onde abriu a última Mostra do Cinema com o filme que agora está promovendo, fará um show com sua banda com fins beneficentes em um teatro da capital.

Também neste caso se mostrou mordaz e seguro ao afirmar que ninguém engana a ele e que as pessoas que vão a seus shows não vão para ouvi-lo ("porque não vale a pena"), mas para vê-lo.