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Somos todos migrantes

Papa Leão XIV em Lampedusa, treze anos após a visita histórica do Papa Francisco.

Por Fabio Porta

Assim como o Papa Bergoglio, filho de imigrantes piemonteses na Argentina, o Papa Prévost também é fruto da história da imigração nas Américas. Talvez seja justamente por isso que, em 4 de julho, no 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, Leão XIV escolheu Lampedusa, a "porta de entrada para a Europa", para lançar aos líderes mundiais seu sincero apelo por aceitação e cooperação internacional, dando continuidade ao magistério de seu antecessor, que exatamente treze anos antes, desta pequena ilha mediterrânea, nos lembrou que "todos somos migrantes!"

Sim, "todos", embora ainda haja quem se deleite em classificar imigrantes em "primeira e segunda classe", esquecendo-se de que toda a história da humanidade é, na verdade, uma "história de migração", e que o sofrimento e os sacrifícios dos nossos imigrantes do final do século XIX e início do século XX não são tão diferentes daqueles que ainda hoje fogem da guerra e da fome em busca de um futuro melhor em outro lugar.
Contudo, na Europa e em todo o mundo, crescem sempre mais as forças xenófobas e racistas que  sopram sobre o fogo da intolerância e impedindo que governos tomem decisões corajosas e visionárias em relação à imigração, mesmo quando essas decisões são necessárias para o desenvolvimento desses países.

O Papa afirmou isso sem meios termos: "Há também aqueles que escolhem não se aproximar dos outros e aqueles que decidem não decidir. Os mortos neste mar são vítimas tanto das decisões tomadas quanto das decisões não tomadas."

A América "MAGA" de Trump escolheu, sem fingimentos nem  hipocrisia, o caminho dos muros e das rejeições; a própria União Europeia, em vez de promover a imigração regular e regulamentada, talvez por causa de sua tradição migratória e seus valores de civilidade e acolhimento, prefere a política da avestruz e atalhos de segurança; a única exceção, talvez, seja a Espanha, que, graças em parte a decisões corajosas em relação à regularização de imigrantes e à abertura aos migrantes latino-americanos, é hoje um dos poucos países europeus que experimentam um crescimento significativo e consistente. Mas este é um caso isolado.
E tudo isso apesar de, como o Papa Prévost nos lembra constantemente, "sua posição geográfica e sua estrutura institucional" permitirem ao velho continente "enfrentar a crise organicamente, integrando a assistência humanitária a um plano estratégico de longo prazo capaz de acolher, proteger, promover e integrar os migrantes, trabalhando, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento, para que ninguém seja forçado a emigrar".

As palavras do Papa em Lampedusa têm a força transbordante da profecia e nos lembram que nenhum homem e nenhuma mulher é estrangeiro ou estrangeira; e que temos o dever de trabalhar todos os dias por uma sociedade em que cada pessoa se sinta cidadã, reconhecida em sua identidade e respeitada em sua dignidade.

Palavras que não foram proferidas por acaso no último canto da Itália e, portanto, da Europa, uma nação e um continente cuja história e destinos estão profundamente ligados às tragédias das duas guerras mundiais e à grande epopeia da emigração para as Américas. Uma história que muitas vezes esquecemos ou preferimos reescrever, talvez por medo de lê-la novamente sob a perspectiva dos novos migrantes.

*Artigo do deputado Fabio Porta originalmente publicado na revista "Comunità italiana" (julho 2026). 

Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.

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Siamo tutti migranti 

Papa Leone XIV a Lampedusa, tredici anni dopo la storica visita di Papa Francesco.

Di Fabio Porta 

Come Papa Bergoglio, figlio di immigrati piemontesi in Argentina, anche Papa Prevost è figlio della storia dell'immigrazione straniera nelle Americhe. Forse è proprio per questo che lo scorso 4 luglio, anniversario dei 250 anni di indipendenza degli Stati Uniti, Leone XIV abbia scelto Lampedusa, la "porta dell'Europa", per lanciare ai potenti del mondo il suo accorato appello all'accoglienza e alla cooperazione internazionale in continuità con il magistero del suo predecessore che esattamente tredici anni prima e proprio dalla piccola isola del Mediterraneo ci ricordò che "siamo tutti migranti!" 

Sì, "tutti", anche se c'è sempre qualcuno che ancora oggi si diletta a fare le classifiche tra "immigrati di serie A e di serie B" dimenticando che l'intera storia dell'umanità è di fatto "storia delle migrazioni" e che le sofferenze e i sacrifici dei nostri immigrati di fine ottocento e inizio novecento non sono poi così diversi da quelli di coloro che ancora oggi fuggono dalla guerra e dalla fame per cercare altrove un futuro migliore. 

Eppure in Europa e nel mondo crescono sempre di più le forze xenofobe e razziste che soffiano sul fuoco dell'intolleranza impedendo ai governi di prendere decisioni coraggiose e lungimiranti in materia di immigrazione, anche quando queste sarebbero necessarie per lo sviluppo di quei Paesi. 

Il Papa lo ha detto senza mezzi termini: "C'è anche chi sceglie di non farsi prossimo e chi decide di non decidere. I morti in questo mare sono vittime sia di decisioni prese, sia di decisioni mancate." 

L'America "Maga" di Trump ha scelto senza infingimenti né ipocrisie la strada dei muri e dei respingimenti; la stessa Unione Europea, invece di promuovere una immigrazione regolare e regolata, magari in ragione della sua tradizione migratoria e dei suoi valori di civiltà e accoglienza, preferisce la politica dello struzzo e le scorciatoie securitarie; unica eccezione, forse, la Spagna che anche grazie a coraggiose scelte in materia di regolarizzazione degli immigrati e di apertura ai migranti latino-americani è oggi uno dei pochi Paesi europei a crescere in maniera significativa e costante. Ma si tratta di un caso isolato. 

E tutto ciò nonostante, come ci ricorda sempre Papa Prevost, "la sua posizione geografica e il suo assetto istituzionale" che consentirebbero al vecchio continente "di affrontare la crisi in modo organico, inserendo il primo soccorso in un piano strategico di lungo periodo, capace di accogliere, proteggere, promuovere e integrare i migranti e, nello stesso tempo, lavorando per lo sviluppo, cosicché nessuno sia costretto a emigrare." 

Le parole del Papa a Lampedusa hanno la forza prorompente della profezia e ci ricordano che nessun uomo e nessuna donna è straniero o straniera; e che abbiamo il dovere di agire ogni giorno per una società in cui ogni persona si senta cittadino, riconosciuto nella sua identità e rispettato nella sua dignità. 

Parole che non a caso sono state pronunciate nell'ultimo lembo dell'Italia e quindi dell'Europa, una nazione ed un continente dove storia e destini sono profondamente legati alle tragedie delle due guerre mondiali e alla grande epopea dell'emigrazione nelle Americhe. Una storia che troppo spesso dimentichiamo o preferiamo riscrivere, forse per paura di rileggerla negli occhi dei nuovi migranti. 

*Articolo del deputato Fabio Porta originariamente pubblicato sulla rivista "Comunità italiana" (luglio 2026).

Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati

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