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Uma conquista colocada à dura prova

Vinte anos atrás, entraram pela primeira vez no Parlamento os 'eleitos no exterior'.

Por Fabio Porta

O batismo da circunscrição exterior, o colégio eleitoral dividido em quatro repartições que, após a reforma constitucional aprovada em 2001, finalmente permitiria o voto ativo e passivo aos milhões de italianos que viviam fora da Itália, ocorreu na primavera italiana de 2006.

Foi uma eleição inédita, obviamente, com enormes expectativas que se traduziram em uma participação eleitoral diferente de qualquer outra que veríamos em eleições subsequentes. Desmentindo o estereótipo que pintava nossas comunidades como fortemente orientadas a direita (talvez devido a uma atribuição incorreta da lei sobre o voto no exterior à luta solitária de Mirko Tremaglia), na noite de 10 de abril, a Itália foi forçada a reconsiderar: foi, de fato, graças ao voto dos italianos no exterior que a coalizão de Ulivo di Prodi conseguiu ultrapassar a coalizão de centro-direita de Berlusconi.

Essa legislatura teve vida curta justamente por causa de seu precário equilíbrio político; a estreita margem de votos no Parlamento a favor do governo, combinada com a excessiva heterogeneidade de uma coligação que ia do centro moderado da então Ministra da Justiça Mastella à extrema-esquerda do Presidente da Câmara dos Deputados Bertinotti, não resistiu ao teste dos fatos.
A imagem dos políticos eleitos no exterior também foi afetada negativamente; o senador ítalo-argentino Pallaro tornou-se repentinamente famoso por seu voto, que de vez em vez era o resultado de exaustivas negociações com o governo bem como das pressões sempre mais pesadas do próprio Berlusconi.

Quando o governo cai, apenas dois anos depois, o interesse de alguns partidos e movimentos sobre o voto no exterior aumenta justamente por causa do que havia acontecido durante o governo Prodi.

As duas legislaturas seguintes transcorreram de maneira menos traumática; apesar das repetidas fraudes eleitorais, especialmente em alguns países da América do Sul, e da chegada ao Parlamento de alguns representantes que não estavam à altura do seu mandato (embora, para ser justo, isso estivesse em linha com a média dos restantes parlamentares), os eleitos no estrangeiro realizaram, entre 2008 e 2018, um trabalho valioso de ligação com as nossas comunidades e, em particular, com o sistema de representação, tornando-se parte integrante e não mais isolada da dinâmica legislativa do Parlamento.

As eleições de 2018 foram caracterizadas pela maior fraude eleitoral da história republicana; após meu recurso à Comissão Eleitoral do Senado e uma denúncia paralela à Procuradoria Pública de Roma, foram descobertas e anuladas (caso único e talvez irrepetível) cerca de doze mil cédulas eleitorais votadas pelas mesmas mãos e encontradas em diversas seções eleitorais de Buenos Aires, na Argentina.

Mais de três anos e meio após o início da legislatura, o signatário foi reconhecido pelo plenário do Senado como o legítimo titular daquela vaga, que havia sido tomada do usurpador (que, com seu voto, havia possibilitado que um pequeno partido fundado na Argentina obtivesse um cargo importante com os governos de matizes políticas que se sucederam naqueles anos sob a Presidência do Conselho Conte).

Naquela legislatura, apesar de, pela primeira vez, a delegação dos italianos no exterior ter sido atribuída a um representante eleito fora do país, foram justamente os italianos no exterior a serem os mais penalizados pela reforma constitucional que levou à redução do número de parlamentares; a circunscrição exterior passou a ser integrada não mais por dezoito, mas doze parlamentares, com uma redução drástica da proporção já desfavorável entre eleitos e eleitores, já estabelecida na época da aprovação da respectiva emenda constitucional.

A história desta legislatura é, infelizmente, bem conhecida por todos: há pouco mais de um ano, com uma ofensiva incompreensível e injusta, o governo Meloni-Tajani-Salvini aboliu de forma rude e discriminatória o direito dos italianos no exterior de transmitirem a sua cidadania e nestes dias é evidente a tentativa da centro-direita de minar e degradar o nosso direito ao voto, com a introdução de ajustes à circunscrição exterior que tornaria ainda mais fraca a relação entre os representantes eleitos  com os seus territórios de origem e, consequentemente, menos incisiva a sua presença no Parlamento.

Um antigo anúncio publicitário italiano ficou famoso por este slogan: "Pensem, gente, pensem!"; é o mínimo que eu sugeriria para a reflexão dos nossos compatriotas que vivem fora de Itália.

*Artigo do deputado Fabio Porta originalmente publicado na revista "Comunità italiana" (junho 2026). 

Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.

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Una conquista messa a dura prova 

Venti anni fa entrarono per la prima volta in Parlamento gli ‘eletti all’estero’ 

Di Fabio Porta 

Il battesimo della circoscrizione estero, il collegio elettorale suddiviso in quattro ripartizioni che a seguito della riforma costituzionale approvata nel 2001 avrebbe finalmente permesso il voto attivo e passivo ai milioni di italiani che vivevano fuori dall’Italia, si celebrò nella primavera italiana del 2006. 

Fu un’elezione inedita, ovviamente, con un carico di aspettative enormi che si tradusse in una partecipazione al voto che non avremmo più riscontrato nelle successive elezioni. Smentendo lo stereotipo che dipingeva le nostre collettività come fortemente orientate a destra (forse a causa di una non del tutto corretta attribuzione della legge sul voto all’estero alla solitaria battaglia di Mirko Tremaglia), la notte del 10 aprile l’Italia si dovette ricredere: fu infatti proprio grazie al voto degli italiani nel mondo che la coalizione dell’Ulivo di Prodi riuscì a superare quella di centro-destra di Berlusconi. 

Quella legislatura ebbe vita breve proprio a causa del suo precario equilibrio politico; l’esiguo margine di voti in Parlamento a favore del governo unitamente all’eccessiva eterogeneità di una compagine che andava dal centro moderato dell’allora Ministro della Giustizia Mastella all’estrema sinistra del Presidente della Camera Bertinotti non resse alla prova dei fatti. 

Anche l’immagine degli eletti all’estero ne uscì compromessa in maniera negativa; il senatore italo-argentino Pallaro divenne improvvisamente famoso per il suo voto che di volta in volta era il risultato di spossanti mediazioni con il governo nonché delle pressioni sempre più pesanti dello stesso Berlusconi. 

Quando il governo cadde, appena due anni dopo, gli appetiti di alcuni partiti e movimenti sul voto all’estero aumentarono proprio in ragione di quanto era accaduto con il governo Prodi. 

Le due legislature successive trascorsero in maniera meno traumatica; nonostante il ripetersi di brogli elettorali, soprattutto in alcuni Paesi del Sudamerica, e l’arrivo in Parlamento di alcuni rappresentanti non proprio all’altezza del loro mandato (ma questo, ad onore del vero, in linea con la media del resto dei parlamentari), gli eletti all’estero svolsero tra il 2008 e il 2018 un lavoro prezioso di raccordo con le nostre collettività e in particolare con il sistema di rappresentanza, divenendo parte integrale e non più avulsa della dinamica legislativa del Parlamento. 

In quella legislatura, nonostante per la prima volta la delega per gli italiani all’estero venne attribuita proprio ad un eletto all’estero, furono proprio gli italiani nel mondo ad essere maggiormente penalizzati dalla riforma costituzionale che portò alla riduzione del numero dei parlamentari; la circoscrizione estero passò così ad essere integrata non più da diciotto ma da dodici parlamentari, con una riduzione drastica del rapporto già penalizzante tra eletti ed elettori già sancito al momento dell’approvazione della relativa modifica costituzionale. 

La storia di questa legislatura è, purtroppo, ben nota a tutti: poco più di un anno fa con un blitz incomprensibile oltre che ingiusto il governo Meloni-Tajani-Salvini ha cancellato in maniera scomposta e discriminatoria il diritto degli italiani nel mondo a trasmettere la cittadinanza e in questi giorni è palese il tentativo del centro-destra di mortificare e svilire il nostro diritto di voto con l’introduzione di correttivi alla circoscrizione estero che renderebbero ancora più labile il rapporto degli eletti con i loro territori di provenienza e di conseguenza meno incisiva la loro presenza in Parlamento. 

Una vecchia pubblicità italiana divenne famosa per questo slogan: “Meditate gente, meditate!”; è il minimo che mi sentirei di suggerire alla riflessione dei nostri connazionali che vivono fuori dall’Italia.

*Articolo del deputato Fabio Porta originariamente pubblicato sulla rivista "Comunità italiana" (giugno 2026).

Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati

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