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Investigadores apontam anomalias no naufrágio em Lampedusa

O procurador-adjunto de Agrigento, Salvatore Vella, enviado ao local logo após o fato ter ocorrido, fala de duas anomalias que emergem, no princípio das investigações: uma suspeita parada do barco na Tunísia, depois de deixar a Líbia, e o fato da travessia ter sido realizada mesmo com as péssimas condições climáticas.

No naufrágio, ocorrido no último domingo (06), a Guarda Costeira e a polícia italiana de fronteira conseguiram salvar 22 pessoas, das 50 que faziam a travessia em uma embarcação de madeira originária da Líbia. Os corpos de 13 mulheres de origem subsaariana (parte do continente africano situada ao sul do Deserto do Saara) foram resgatados sem vida do mar. Seguem desaparecidos, inclusive oito crianças.

Após reunião realizada no quartel da Guarda Costeira, Salvatore Vella partiu de Agrigento para a ilha, imediatamente após o naufrágio, decidido a confirmar alguns rumores que surgiram sobre a dinâmica do que aconteceu e, acima de tudo, sobre a jornada do barco da morte.

A embarcação que levava pelo menos 50 migrantes para Lampedusa, ilha localizada ao sul da Sicília, teria partido da Líbia. Entretanto, nas primeiras declarações feitas pelos sobreviventes ouvidos por Vella, falou-se numa travessia da Líbia com uma parada na Tunísia, "e agora estamos tentando reconstruir o que aconteceu no último trecho da travessia ”, afirma o magistrado.

Uma "escala", portanto, uma parada intermediária, um elemento bastante raro nas rotas tradicionais de imigração. Geralmente, parte-se de um ponto para ir direto para a Itália, nas pesquisas dos últimos anos é bastante raro notar escalas intermediárias.

Duas hipóteses são apontadas: uma falha mecânica no barco, que, portanto, precisou parar na Tunísia para continuar em direção a Lampedusa, ou, em vez disso, a escala no meio da travessia é um novo elemento distintivo das rotas do norte da África.

Além disso, a partir de setembro, mês marcado pelos altos desembarques, há outra anomalia que pode ser relacionada às descobertas do naufrágio de domingo: da Tunísia não chegam apenas tunisianos; pelo contrário, estamos testemunhando o desembarque de pessoas que geralmente deixam a Líbia.

Precisamente por esse motivo, os serviços de segurança começaram a investigar uma possível mudança nas atividades dos traficantes da Líbia para a Tunísia, como se, de alguma forma, a rota da Tunísia garantisse aos contrabandistas que operam na Tripolitânia (região histórica, antiga província tanto do Império Romano quanto do moderno estado da Líbia) melhores condições. 

Ainda, segundo Vella, um "diálogo" também poderia estar sendo proposto entre aqueles que gerenciam rotas da Líbia e da Tunísia. Uma colaboração real, que levaria à organização de uma única jornada para os que partem da Líbia e da Tunísia. Mas, a esse respeito, os detalhes ainda são poucos e, portanto, tudo permanece dentro da estrutura das hipóteses.

Outra anomalia encontrada é a da viagem deixada do outro lado do Mediterrâneo, apesar do mau tempo: "É estranho que eles tenham saído com essas condições climáticas", diz Salvatore Vella.

Certamente os contrabandistas não têm escrúpulos, não dão aos migrantes que embarcam até a comida suficiente para enfrentar a travessia, muito menos iriam se preocupar com a segurança daqueles que pagam milhares de dólares para embarcar. No entanto, quando as condições climáticas pioram, ao longo dos anos sempre houve uma diminuição nas partidas da Líbia e da Tunísia.

Nesse caso, no entanto, o barco foi colocado na água, apesar do mar agitado e do vento já muito forte nas horas em que provavelmente o veículo deixou a Líbia.

Aspectos a serem esclarecidos e decifrados para uma investigação que certamente é longa. Enquanto isso, em Lampedusa, a busca pelos desaparecidos continua: considerando os 22 sobreviventes e os 13 corpos sem vida (todas as mulheres) já recuperados, 15 estão desaparecidos. (com informações do jornal italiano Il Giornale)