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Ator e diretor italiano Alvise Camozzi estreia 'Psicotrópico' no Brasil

O espetáculo, que integra o projeto Teatro Mínimo, pega emprestado da ciência o termo “psicotrópico” (dado às substâncias que agem no sistema nervoso central, com efeitos alucinógenos ou estimulantes que modificam nossa percepção de mundo) e conta, por meio de diferentes narrativas, uma história que se desenvolve em diversos planos, tempos e espaços. Um imigrante que precisa retornar para casa. Um artista que se encontra perdido na floresta da criação. Uma personagem que deve estar morta até o final da peça. Um casal que se relaciona em timbres operísticos. A voz de uma criança que faz perguntas difíceis. Um ator, um atraso, uma viagem.

A palavra, uma vez separada nos dois termos (psyché e trópico), pode assumir novos significados diversamente sugestivos. Psyché, como alma e respiro, palavra antiga que dificilmente pode encontrar sua definitiva tradução moderna; e Trópico, etimologicamente “relativo a uma volta”, aqui pensada não somente como área geográfica e climática, mas também como lugar político, social e cultural.

Com concepção do Núcleo Artístico Società Anonima e dramaturgia, direção e atuação de Calmozzi, Psicotrópico é estruturado em cinco narrativas ficcionais apresentadas numa rede de fragmentos organizados de maneira aparentemente aleatória.

Estas cinco narrativas são atravessadas por outras duas linhas dramatúrgicas - ambas alusivas a nostos (do grego ‘desejo da volta pra casa) – e que remetem a experiências biográficas do próprio ator, nascido em Veneza: a volta ao lar original, na Europa e, posteriormente, o retorno para a casa atual, nos Trópicos.

O espetáculo é resultado de uma profunda reflexão sobre a mobilidade contemporânea, as migrações e a memória

Na sociedade contemporânea, a espera pertence à representação quantitativa do tempo, à sua valoração de eficiência, à orientação baseada na programação do tempo futuro. O sujeito que aguarda/espera é deslocado de seu tempo; o lugar que habita é um ‘não-lugar’. A tensão permanente nas nossas cidades é a de anular o tempo de espera. Esperar é um problema da modernidade, do movimento perpétuo e rápido, das mercadorias e das pessoas, mas também das ideias, das palavras e das memórias.

O migrante é a figura social que, mais do que outras, habita esse ‘não-lugar’ contemporâneo. Ser migrante, de alguma maneira, é uma condição universal do habitante do tempo presente. Respeitando as diversas e específicas realidades, todos somos desenraizados, e não somente porque viemos, muitos de nós, de outras cidades, estados, continentes, mas, principalmente, devido às grandes transformações de costumes às quais fomos condicionados, com uma velocidade tal que perdemos o senso de estar no tempo.

Nossa memória, por sua vez, é breve, relegada às máquinas; nosso futuro próximo tão curto, porque condicionado pelo lema da crise permanente, seja essa econômica, política, ética, climática – o que dificulta uma projeção distante de nossas expectativas e torna nosso presente fragilmente manipulável, como os valores de autonomia e independência perseguidos por todo o século XX que hoje declinaram massivamente, motivados por outros estímulos culturais, medidos por cotas de conquista e sucesso do indivíduo em detrimento da coletividade.

A dramaturgia não se desenvolve de maneira linear e sequencial. E através da combinação simbólica dos diversos elementos que se manifestam em cena – esculturas, cenografia, desenho de luz, videoprojeções e sonoridades – a ideia é causar uma espécie de desnorteando no espectador sobre a veracidade do que está acontecendo em cena e deixa-lo livre para compor suas próprias ressignificações.

Ficha Técnica
Concepção: Núcleo Artístico Società Anonima 
Dramaturgia, direção e atuação: Alvise Camozzi
Pesquisa e cenografia: William Zarella Jr. 
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Pesquisa sonora: Daniel Maia e Gustavo Arantes 
DJ set ao vivo: Gustavo Arantes a.k.a Dj Goonie
Desenho sonoro: Daniel Maia

Psicotrópico
Temporada: 12/8 a 11/9/2016
Sextas, às 21h30; sábados, às 19h30; domingos, às 18h30; 
Não haverá espetáculo no dia 28/8
Local: Auditório (30 lugares). Não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos: 6,00 a R$ 20,00

Sesc Ipiranga: Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga
Telefone – (11) 3340-2000
www.sescsp.org.br/ipiranga
Acesso para deficientes físicos
Não temos estacionamento
Ingressos à venda pelo portal www.sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades
Bilheteria Sesc Ipiranga - Terça a sexta das 12h às 21h; sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h



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