Fabio Porta (PD): Ódio e democracia
A responsabilidade da política perante a deriva do ódio na sociedade.
Existe um mundo que respira com dificuldade dentro de uma gramática da contraposição, onde o dissenso se torna excomunhão civil e o adversário um inimigo a ser esmagado, como alertam as crônicas e as análises sobre o clima de rancor e os abusos da linguagem que alimentam a desconfiança e as divisões.
Recordando o cruel assassinato de Willy Monteiro, um jovem de vinte e um anos filho de imigrantes que, há cinco anos, pagou com a vida o altruísmo com que defendia um amigo de uma briga entre rapazes, o Presidente da República Sergio Mattarella advertiu que «o ódio multiplica o ódio e a violência multiplica a violência», pedindo uma educação para a esperança e uma vigilância sobre o poder multiplicador das redes sociais, onde palavras incendiárias e narrativas tóxicas correm o risco de banalizar a agressividade até torná-la motivo de orgulho.
É importante questionar o sentido da convivência, encontrando no «respeito» a palavra-chave para respirar juntos, antídoto ao desprezo e ao escárnio que alimentam a espiral do ódio. Recuperar o diálogo não significa anestesiar o conflito, mas civilizá-lo dentro daquelas «regras do jogo» que tutelam minorias e alternância e impedem que a força se disfarce de direito, como advertia Norberto Bobbio.
A democracia é uma arquitetura de procedimentos e virtudes, e a mais exposta é a ética da palavra: cada frase é um ato, pode ferir ou costurar, incendiar ou iluminar, e a escolha da medida cabe a quem guia a opinião e a contenda. Jürgen Habermas chama «esfera pública» ao espaço em que as opiniões se formam expondo-se à prova das razões, e onde a autoridade nasce do melhor argumento disponível, não do volume da voz nem dos algoritmos que premiam a indignação.
Se a midiatização extrema e a pressa binária inibem o pensamento complexo e a empatia, como sinalizam as análises sobre jovens e plataformas digitais, cabe à política e aos corpos intermédios reconstruir lugares e tempos da deliberação, subtraindo o discurso civil à tirania do impulso.
Há um léxico que pode renovar o pacto: a fraternidade e a amizade social de «Fratelli tutti», a terceira encíclica do Papa Francisco, que transformam o outro de obstáculo em proximidade, pedindo mediação, cura das feridas e projetos comuns.
É a mesma bússola que orienta os apelos do Papa Leão para que cale a violência e prevaleça o direito humanitário, no Médio Oriente como em todo o conflito que envenena as nossas praças e as nossas casas. O princípio do limite – nas palavras, no poder, nas simplificações – não comprime a liberdade: torna-a partilhável, salvando a pluralidade do colapso e devolvendo à política o estatuto de arte civil.
Por isso, o auspício é simples e radical: que as palavras voltem a ser pontes e não pedras, sóbrias e verdadeiras, capazes de reconhecer a dignidade do outro mesmo no dissenso mais áspero. Que a esfera pública restitua cidadania à argumentação, à verificação e à complexidade, subtraindo o debate à sedução das caricaturas. Que instituições, media e corpos intermédios reencontrem a sua vocação educativa, formando para o conflito regulado e para a responsabilidade discursiva. Que fraternidade e amizade social se tornem critérios silenciosos mas operativos das escolhas, em nossa casa e além das fronteiras. Que o limite – jurídico, retórico, político – seja reconhecido como condição da liberdade comum, não como sua negação.
Só assim a democracia voltará a ser um lugar respirável, firme sem ser feroz e forte porque mansa, capaz de transformar a conflituosidade em energia cívica e a diferença em recurso.
*Artigo originalmente publicado na revista Comunità italiana (outubro 2025)
Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.
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Odio e democrazia
La responsabilità della politica di fronte alla deriva di odio nella società.
C’è un mondo che respira a fatica dentro una grammatica della contrapposizione, dove il dissenso diventa scomunica civile e l'avversario un nemico da schiacciare, come ammoniscono cronache e analisi sul clima di rancore e sugli abusi del linguaggio che alimentano sfiducia e divisioni.
Ricordando il crudele assassinio di Willy Monteiro, un giovane ventunenne figlio di immigrati che cinque anni fa pagò con la vita l'altruismo con il quale difendeva un amico da una lite tra ragazzi, il Presidente della Repubblica Sergio Mattarella ha avvertito che «l'odio moltiplica l'odio e la violenza moltiplica la violenza», chiedendo un'educazione alla speranza e una vigilanza sul potere moltiplicatore dei social, dove parole incendiarie e narrazioni tossiche rischiano di banalizzare l'aggressività fino a farne vanto.
È importante interrogarsi sul senso della convivenza trovando nel «rispetto» la parola-chiave per respirare insieme, antidoto al disprezzo e allo spregio che alimentano la spirale dell'odio. Recuperare il dialogo non significa anestetizzare il conflitto, ma civilizzarlo entro quelle «regole del gioco» che tutelano minoranze e alternanza e impediscono alla forza di travestirsi da diritto, come ammoniva Norberto Bobbio.
La democrazia è un'architettura di procedure e virtù, e la più esposta è l'etica della parola: ogni frase è un atto, può ferire o ricucire, incendiare o illuminare, e la scelta della misura spetta a chi guida l'opinione e la contesa. Jurgen Habermas chiama «sfera pubblica» lo spazio in cui le opinioni si formano esponendosi alla prova delle ragioni, e dove l'autorità nasce dalla miglior argomentazione disponibile, non dal volume della voce né dagli algoritmi che premiano l'indignazione.
Se la mediatizzazione estrema e la fretta binaria inibiscono il pensiero complesso e l'empatia, come segnalano le analisi su giovani e piattaforme digitali, tocca alla politica e ai corpi intermedi ricostruire luoghi e tempi della deliberazione, sottraendo il discorso civile alla tirannia dell'impulso.
C'è un lessico che può rinnovare il patto: la fraternità e l'amicizia sociale di "Fratelli tutti", la terza enciclica di Papa Francesco, che trasformano l'altro da ostacolo a prossimità, chiedendo mediazione, cura delle ferite e progetti comuni.
È la stessa bussola che orienta gli appelli di Papa Leone perché taccia la violenza e prevalga il diritto umanitario, nel Medio Oriente come in ogni conflitto che avvelena le nostre piazze e le nostre case. Il principio del limite - nelle parole, nel potere, nelle semplificazioni - non comprime la libertà: la rende condivisibile, salvando la pluralità dal collasso e restituendo alla politica il rango di arte civile.
Per questo l'auspicio è semplice e radicale: che le parole tornino ponti e non pietre, sobrie e vere, capaci di riconoscere la dignità dell'altro anche nel dissenso più aspro. Che la sfera pubblica ridia cittadinanza all'argomentazione, alla verifica e alla complessità, sottraendo il dibattito alla seduzione delle caricature. Che istituzioni, media e corpi intermedi ritrovino la loro vocazione educativa, formando al conflitto regolato e alla responsabilità discorsiva. Che fraternità e amicizia sociale diventino criteri silenziosi ma operativi delle scelte, a casa nostra e oltre i confini. Che il limite - giuridico, retorico, politico - sia riconosciuto come condizione della libertà comune, non come sua negazione.
Solo così la democrazia tornerà luogo respirabile, ferma senza essere feroce e forte perché mite, capace di trasformare la conflittualità in energia civica e la differenza in risorsa.
*Articolo originariamente pubblicato su "Comunità Italiana" (ottobre 2025)
Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati
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