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Guerra e Paz, de Portinari, completa 50 anos

Os 50 anos da inauguração dos murais "Guerra e Paz", do pintor ítalo-brasileiros Cândido Portinari, serão marcados com uma série de eventos em Nova York. Os painéis foram encomendados pelo governo brasileiro como um presente às Nações Unidas. As comemorações, que ocorrerão em setembro, estão sendo organizadas pelo Projeto Portinari com o apoio da Missão do Brasil na ONU.

Na programação, está prevista uma exposição, envolvendo 600 crianças da rede escolar; a realização de um ato simbólico durante a Assembléia da organização; e o lançamento de um livro com a história do mural e também depoimentos de pessoas ilustres a respeito da obra do pintor. Os eventos serão realizados na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos.

Conheça a história do Mural Guerra e Paz de Portinari

Em 1952, o então Secretário Geral da ONU, Sr. Trygve Lie, sugere que cada nação membro da Organização das Nações Unidas faça uma contribuição cultural àquela instituição cuja sede está sendo construída.

O projeto foi desenvolvido pela Comissão Internacional dos Arquitetos da ONU, chefiada por Wallace K. Harrison e que teve Oscar Niemeyer como um de seus membros.

O governo brasileiro, através do Ministro das Relações Exteriores na época, João Neves da Fontoura, encomenda então a Portinari, dois painéis que serão oferecidos à ONU, para decorar sua sede.

Em 1953, as maquetes estão prontas.

Em 1954, Portinari mostra as maquetes na exposição em homenagem ao IV Centenário da cidade de São Paulo, realizada no Museu de Arte de São Paulo/MASP.

Nesta ocasião as duas maquetes já estavam aprovadas pela Junta Assessora de Arte da ONU.

Ainda em 1954, Portinari sente com maior frequência os sintomas de intoxicação pelas tintas, e o artista fica, por determinação médica, algum tempo sem pintar. Aparentemente é o chumbo das tintas a causa da doença. Portinari refere-se à determinação médica: "Estou proibido de viver".

Depois de longo atraso nas negociações financeiras, é assinado em 1955 o contrato entre Portinari e o Ministério das Relações Exteriores, para a execução dos painéis, cujos estudos estão bem adiantados.

Como disse Rosinha Leão: "Cada mão, cada pé, cada rosto era motivo para um estudo detalhado".

Portinari pintou quatorze grandes quadros a óleo, e fez ainda mais duas maquetes para servir de modelo.

Portinari teria gostado de ter pintado os painéis no próprio local na ONU, em Nova York, mas o artista não obteve o visto de entrada para os Estados Unidos em razão de suas convicções políticas: Portinari era comunista e na época os EUA viviam o período do Macartismo.

A execução dos painéis começa, então no Rio de Janeiro, em março de 1955, em galpão da TV Tupi cedido a Portinari por Assis Chateaubriand e estará concluída em janeiro de 1956.

Na sua execução, trabalham ajudando Portinari Rosinha Leão e Enrico Bianco, dois discípulos e amigos do artista. Em 5 de janeiro de 1956 os painéis são entregues ao Ministro das Relações Exteriores, José Eugênio de Macedo Soares.

Os painéis foram inaugurados em 6 de setembro de 1957, sem a presença de Portinari. Estavam presentes entre os brasileiros o Embaixador Cyro de Freitas Valle, o chefe da Comissão de Organismos Internacionais, Jayme de Barros e sua mulher Marina de Barros, a Consul do Brasil, em Nova York, Dora Vasconcellos e a própria Rosinha Leão. (Projeto Portinari).