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Niccolò Machiavelli

Nicolau Maquiavel (Niccolò Machiavelli, em italiano) nasceu em Florença, na Itália, em 3 de maio de 1469 - período renascentista e marcado por guerras e conspirações. Foi filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico. Político e estadista renascentista italiano, de 1498 a 1512 foi secretário da República Florentina quando, na volta dos Médici, abandonou a vida política, retirando-se para o campo. É neste período que Maquiavel escreveu seus livros mais famosos: Il Principe e Discorsi sopra la prima deca di Tito Livio. Em 1525, publicou as Istorie Fiorentine, encomendadas cinco anos antes pelo Cardeal Giulio de' Medici, futuro Papa Clemente VII. Maquiavel morreu em Florença, em 21 de junho de 1527.

Início da vida e carreira política

A partir do século XIII, a família de Maquiavel era rica e proeminente, ocupando ocasionalmente os cargos mais importantes de Florença. O pai dele, Bernardo  di Niccolò Machiavelli, doutor em direito, estava, no entanto, entre os membros mais pobres da família. Proibido de ocupar cargo público em Florença por ser um devedor insolvente, Bernardo vivia frugalmente, administrando sua pequena propriedade rural perto da cidade e complementando seus escassos rendimentos com os recursos do exercício restrito e quase clandestino de sua profissão. Bernardo mantinha uma biblioteca na qual Niccolò deve ter lido, mas pouco se sabe sobre a sua educação e o início da sua vida em Florença, que na época era um próspero centro de filosofia e uma brilhante vitrine das artes.

Em carta a um amigo em 1498, Maquiavel escreve sobre os sermões de Girolamo Savonarola (1452-1498), frade dominicano que se mudou para Florença em 1482 e na década de 1490 atraiu um partido de apoiadores populares com suas acusações veladas contra o governo, o clero e o papa. 

Embora Savonarola, que governou Florença por vários anos após 1494, tenha sido apresentado em O Príncipe (1513) como um exemplo de um “profeta desarmado” que deveria falhar, Maquiavel diz-se impressionado com seu aprendizado e habilidade retórica. Em 24 de maio de 1498, Savonarola foi enforcado como herege e seu corpo queimado em praça pública. Vários dias depois, emergindo da obscuridade aos 29 anos, Maquiavel tornou-se chefe da segunda chancelaria (cancelleria), cargo que o colocou no comando dos negócios estrangeiros do governo da República – cargo que ocupou até 1512, tendo conquistado a confiança de Piero Soderini (1452-1522), o magistrado-chefe para a vida em Florença a partir de 1502.

Maquiavel nasceu em 1469, filho do advogado Bernardo di Niccolò Machiavelli e sua esposa, Bartolomea di Stefano Nelli. Imagem: Niccolò Machiavelli (nello studio), Stefano Ussi (1822-1901)

Durante seu mandato na segunda chancelaria, Maquiavel persuadiu Soderini a reduzir a dependência da cidade de forças mercenárias, estabelecendo uma milícia (1505), que Maquiavel posteriormente organizou. Ele também realizou missões diplomáticas e militares na corte da França, a Cesare Borgia (1475/76–1507), filho do Papa Alexandre VI (reinou de 1492 a 1503); ao papa Júlio II (reinou de 1503 a 1513), sucessor de Alexandre; à corte do Sacro Imperador Romano Maximiliano I (reinou de 1493 a 1519); e a Pisa (1509 e 1511).

Em 1503, um ano após suas missões a Cesare Borgia, Maquiavel escreveu uma pequena obra, Del modo di trattare i sudditi della Val di Chiana ribellati (Do modo para tratar com os súditos da Val di Chiana rebelados), na qual ele contrasta os erros de Florença com a sabedoria dos romanos e declara que, ao lidar com os povos rebeldes, deve-se beneficiá-los ou eliminá-los. 

Maquiavel também foi testemunha da sangrenta vingança de César Borgia contra seus capitães amotinados na cidade de Sinigaglia (31 de dezembro de 1502), da qual ele escreveu um relato famoso. Em muitos de seus primeiros escritos, Maquiavel argumenta que “não se deve ofender um príncipe e depois depositar fé nele”.

Em 1503 Maquiavel foi enviado a Roma para a duração do conclave que elegeu o Papa Júlio II , inimigo dos Bórgias, cuja eleição César imprudentemente ajudara. Maquiavel assistiu ao declínio de César e, em um poema (Primeira Decenal), celebrou sua prisão, um fardo que “ele merecia como rebelde contra Cristo”. Ao todo, Maquiavel embarcou em mais de 40 missões diplomáticas durante seus 14 anos na chancelaria.

Em 1512, a República florentina foi derrubada e a família Medici voltou a governar Florença e Maquiavel, suspeito de conspiração, foi preso, torturado e enviado para o exílio em 1513 para a pequena propriedade de seu pai, em San Casciano, ao sul de Florença. Lá ele escreveu suas duas principais obras, “O Príncipe”, que lhe trouxe a reputação de ateu e cínico imoral, e “Discursos sobre Tito Lívio”, ambas publicadas após sua morte. 

Maquiavel dedicou “O Príncipe” a Lorenzo di Piero de’ Medici (1492-1519), governante de Florença em 1513 e neto de Lorenzo de’ Medici (1449-1492). Quando, com a morte de Lorenzo, o Cardeal Giulio de' Medici (1478-1534) veio a governar Florença, Maquiavel foi apresentado ao cardeal por Lorenzo Strozzi (1488-1538), descendente de uma das famílias mais ricas de Florença, a quem dedicou o diálogo Dell'arte della guerra (1521). 

Maquiavel e o método da ciência política

Considerado um homem universal, Maquiavel é o fundador da ciência política moderna. Ele define o campo dessa ciência distinguindo-a de outras ciências, como a ética. A teoria política na Idade Média estava subordinada à ética, o príncipe que agia de acordo com a ética era julgado positivamente (por exemplo, specula principis). Maquiavel reivindica a autonomia da política, por ela possuir leis precisas.

O sistema lógico da política de Maquiavel é um verdadeiro sistema científico, cuja origem se dá pela urgência de uma solução prática que estimule a formação do pensamento científico, que leve a aderir à verdade real ao mesmo tempo em que introduz um componente passional. Nele o ímpeto heróico lhe dá o ímpeto voluntarista, não se detendo no puro cálculo científico. 

No último capítulo do Príncipe, a situação desesperadora da Itália torna-se a situação ideal para um príncipe implementar suas habilidades; o povo espera seu messias. Neste capítulo, a análise científica é substituída por uma atitude profética e apaixonada. A discrepância entre a utopia de um príncipe e a verdade real evidencia uma profunda discrepância entre o pensamento maquiavélico e o contexto histórico: ele constrói as bases para um Estado moderno, mas as condições para isso não existiam mais na Itália.

Túmulo de Nicolai Maquiavel dentro da Basílica di Santa Croce em Florença, Itália.

A exclusão da vida pública e a morte

Em 1527, os Médici foram expulsos de Florença e a República foi restabelecida. Maquiavel, então, apresentou-se como candidato ao cargo de secretário da República, mas foi rejeitado por se acreditar que ele estava em conluio com os Médici e especialmente com o Papa Clemente VII. 

A decepção para Maquiavel foi insuportável. Subitamente doente, começou a piorar dramaticamente, até a sua morte em 21 de junho de 1527. Abandonado por todos, foi enterrado durante uma modesta cerimônia fúnebre no túmulo da família na Basílica de Santa Croce. 

Em 1787, a cidade de Florença mandou construir um monumento na própria basílica; retrata a Diplomacia sentada em um sarcófago de mármore. Na placa frontal estão gravadas as palavras Tanto nomini nullum par elogium (Nenhum elogio será digno de tal nome).