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A voz silencia. Morre Luciano Pavarotti

A voz silência. Menos de 48 horas após ter sido o primeiro italiano distinguido com o prêmio Excelência na Cultura, morreu, às cinco horas da quinta-feira (06), o tenor Luciano Pavarotti, ao 71 anos. Em nota, sua agente, Terri Robson, assinala que o homem que popularizou o bel canto lutou uma longa e difícil batalha contra o câncer no pâncreas, que terminou por tirar-lhe a vida.  Com a mesma atitude que sempre marcou sua vida, ele manteve uma postura positiva até finalmente sucumbir aos últimos estágios de sua doença”.

Pavarotti, acompanhado de médicos, estava rodeado de familiares, em sua casa, em Modena. Há 10 dias, o tenor deixou o hospital após passar 15 dias realizando exames e em observação por conta de indícios de pneumonia. Há um ano, Pavarotti retirou um tumor do pâncreas. Na terça-feira, o ministro da Cultura da Itália, Francesco Rutelli, anunciou o seu nome como o primeiro a receber o recém instituído Premio per l’eccellenza nella cultura italiana.

Filho de um padeiro do exército, que era um aficcionado por ópera, desde cedo Pavarotti se familiarizou com o canto. Iniciou sua carreira no coro de sua cidade.  Durante mais de uma década, enquanto aprimorava a sua maior habilidade, Pavarotti foi professor de escola primária.

Fez a sua estréia na ópera em 29 de abril de 1961, no papel de Rodolfo, de La Bohèmia, em Reggio Emilia. Mas o seu talento foi definitivamente consagrado quando cantou La fille du Regiment, de Donizetti, no Metropolitan Opera House, em Nova York, em 1972. Seu desempenho extasiou a platéia e foi chamado 17 vezes à cena em constante aplauso.

Sob a crítica de puristas, desde o início de sua trajetória manifestou uma obsessão:  popularizar a música lírica. Por conta disso, viajou o mundo todo, inclusive pelo Brasil, lotando estádios e teatros, emprestando inclusive sua potente e afinada voz à música pop ou gravando músicas de diferente gêneros e origens, como por exemplo Aquarela do Brasil.

Junto com Plácido Domingos e José Carreras, chegou a reunir 500 mil pessoas em uma apresentação no Central Parque, em Nova Iorque.

O Big Luciano, como era conhecido, tem duas entradas no livro Guinness World Records: o maior número de chamadas ao palco — 165 — e o álbum de música clássica mais vendido de sempre - In Concert de Os Três Tenores, partilhado com os colegas Plácido Domingo e José Carreras. Venceu o Grammy várias vezes.

Em 2003 publica a sua última compilação, Ti Adoro.  Em março de 2005, Pavarotti afirma que está, depois de 44 anos,  pensando em abandonar os palcos para se dedicar à família e a aulas de canto. Em 2006 começa  uma turnê mundial de despedida. Interrompe o roteiro em junho, exatamente para ser operado do câncer que o matou.

Pai de quatro filhas, três do primeiro casamento e uma com a segunda mulher, sua ex-secretaria, Pavarotti deixa o mundo mais triste, com um silêncio que dificilmente será preenchido. Mas, acima de tudo, deixa uma lição: o bel canto não é apenas para a elite.

Conheça mais sobre a vida de Pavarotti no site oficial:

http://www.lucianopavarotti.com/