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Orfeu, de Monteverdi, para comemorar os 70 anos do Coral Paulistano

O Theatro Municipal de São Paulo apresenta, até este domingo (07), a primeira produção operística totalmente inédita da temporada lírica de 2006: Orfeu, do italiano Claudio Monteverdi. A ópera, apresentada pela primeira vez no palco do Municipal, servirá para marcar as comemorações dos 70 anos de existência do Coral Paulistano, um dos corpos artísticos do teatro.

Tendo estreado em Mântua, na Itália, em 1607, Orfeu é a primeira ópera da história da música a chegar completa aos dias de hoje. Nela, Monteverdi, que também estreava no gênero, mistura trechos recitados sobre acompanhamento – os recitativos – com segmentos musicais de grande ornamentação e beleza.

A parte coral, muito importante em Orfeu, será interpretada pelo Paulistano. A Orquestra Sinfônica Municipal e instrumentistas convidados, especializados em música de época, serão responsáveis pelo acompanhamento. Um numeroso elenco de cantores brasileiros, como Luciano Botelho e Edna d’Oliveira, interpreta os personagens da história, extraídos da mitologia grega. A direção cênica leva a assinatura de João Malatian, e os cenários e figurinos, de Naum Alves de Souza. A maestrina Mara Campos, regente titular do Coral Paulistano, será também a diretora musical e regente do espetáculo.

A obra

Na Itália do final do século XVI, um grupo de pensadores e amantes da música tentava criar uma forma de teatro cantado, com base no que imaginavam ser o antigo teatro grego. A idéia do grupo, que ficou conhecido como Camerata Fiorentina, era expressar, por meio do canto, os sentimentos dos personagens, efeito que não era obtido pela música praticada na época, a polifonia de origem religiosa.

A declamação acompanhada por instrumentos – ou o ato de "falar cantando" que ficou conhecido como "recitativo" – foi a maneira encontrada para atingir o efeito desejado. Embora utilizada no início do século XVII por outros integrantes da Camerata, como Jacopo Peri e Giulio Cacini, a nova forma musical só atingiu a sua maturidade ao ser trabalhada por um verdadeiro compositor: Monteverdi, em Orfeu.

A história contada pelo compositor italiano e seu libretista, Alessandro Striggio, também foi extraída da mitologia grega, tão apreciada no período do Renascimento. Orfeu, um semideus agraciado pelo poder da música, é surpreendido pela morte de sua amada, Eurídice, no dia de seu casamento. Inconformado, vai até o inferno atrás dela, vencendo todos os obstáculos e convencendo as divindades com a beleza de seu canto. Ao obter do rei do inferno o direito de levar Eurídice de volta à Terra, porém, Orfeu não resiste às suas dúvidas e temores, e perde-a para sempre.

Para contar a história, Monteverdi recorre, além da nova maneira de recitar cantando, a formas musicais em voga na época, como a própria polifonia religiosa à qual a Camerata se opunha, madrigais e canções. Essa mistura de elementos opostos é uma das inúmeras inovações realizadas por Monteverdi. "É música revolucionária até para os ouvidos de hoje", diz a maestrina Mara Campos.

Enquanto os solistas demonstram, por meio de um canto ornamentado, sentimentos muito mais humanos do que divinos, um grande número de instrumentistas acompanha o desenrolar dos acontecimentos, naquela que é, provavelmente, uma das primeiras orquestras da história da música. Já o coro não só comenta o enredo como participa dele, dando indícios claros de como seria a escrita coral da ópera nos séculos seguintes.

Serviço

Dias 03 e 05 de maio de 2006, às 20h30
Dia 07 de maio, às 17h
Ingressos: de R$ 20 a R$ 40

Theatro Municipal de São Paulo
Pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, tel. 011 3222-8698
Ingressos à venda pelo telefone da Ticketmaster (011 6846-6000)

ou pelo site : http://www.ticketmaster.com.br