Remigração, a nova face do racismo
A Itália e a Europa devem sua identidade à emigração e à imigração.
Por pelo menos dois mil anos, a identidade dos povos europeus foi nutrida e consolidada graças à dialética entre diferentes povos e culturas: da grande inteligência com que o Império Romano foi capaz de abarcar e assimilar povos e tradições diversos e distantes, à constante mobilidade de pessoas que moldaram e reescreveram a fisionomia de populações inteiras. "Não há país ocidental - escreveu o filósofo Mariano Croce - que tenha conseguido manter sua existência sem hibridizar-se por meio de fluxos migratórios". "E, no entanto - continua o filósofo italiano -, a Europa hoje trata a figura do migrante como aquela anomalia incômoda cuja superação definitiva lhe garantiria um futuro de prosperidade renovada".
Na Itália, chegamos ao ponto de falar explicitamente em "remigração", tentando conferir legitimidade teórica e normativa a um conceito que, se aplicado à nossa história, levaria ao retorno forçado de dezenas de milhões de italianos do exterior. Uma "mudança cultural" regressiva, indicativa de profunda ignorância, egoísmo cínico e, essencialmente, um impulso racista disfarçado por trás de uma suposta pureza de raízes culturais e tradições históricas.
A "remigração" é, portanto, apresentada como um processo de restauração da ordem na desordem criada por governos incapazes de erguer muros ou barreiras para deter a chamada "invasão" estrangeira. O paradoxo de tais proclamações reside não apenas no fato de ignorarem a história da migração na Itália e na Europa (que, aliás, deveria fortalecer uma legislação de cidadania inclusiva, abrangendo tanto as comunidades de emigrantes quanto as de imigrantes com residência legal), mas também no fato de negligenciarem um aspecto nada irrelevante: o "velho continente" (e a Itália, em primeiro lugar) sofre com uma recessão demográfica estrutural que deveria motivar políticas de imigração direcionadas e inteligentes.
O equívoco é tão simples quanto dramático: a migração deixa de ser um tema de planejamento estratégico e política administrativa, tornando-se uma questão de luta identitária e conflito ideológico, independentemente de nossa história e, sobretudo, de nossas necessidades. A busca por um inimigo, ou melhor, um "bode expiatório", em quem descarregar todas as nossas frustrações e a quem atribuir toda a responsabilidade por questões delicadas e complexas como segurança, crescimento e desenvolvimento, acaba por empobrecer um debate político que deveria se concentrar em programas, não em slogans.
A maneira míope e masoquista com que o governo italiano abordou a questão da cidadania nesta sessão legislativa, negando-a efetivamente aos italianos com dupla nacionalidade e dificultando cada vez mais a obtenção da cidadania por jovens estrangeiros que residem legalmente na Itália, é a demonstração mais evidente e, de certa forma, constrangedora dessa deficiência na cultura política e social.
Um dos maiores pensadores do século passado, Jürgen Habermas, falou de "patriotismo constitucional" para sustentar a tese de uma sociedade onde a convivência pudesse se basear no reconhecimento mútuo de princípios constitucionais fundamentais. Durante décadas, esse foi o princípio que permitiu aos nossos emigrantes se integrarem em países e nações distantes, e não apenas geograficamente. Um princípio moderno, mas não muito distante do "status civitatis" dos antigos romanos. O oposto exato de "remigração".
*Artigo do deputado Fabio Porta originalmente publicado na revista "Comunità italiana" (agosto 2026).
Fabio Porta é deputado italiano do Partido Democrático, eleito na América do Sul; é Vice-presidente da Comissão Permanente sobre os Italianos no Mundo da Câmara dos Deputados da Itália.
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Remigrazione, il nuovo volto del razzismo
L'Italia e l'Europa devono all'emigrazione e all'immigrazione la loro identità.
Da almeno duemila anni l'identità dei popoli europei si è alimentata e consolidata grazie alla dialettica tra popoli e culture diverse: dalla grande intelligenza con cui l’Impero romano seppe inglobare e assimilare genti e tradizioni diverse e lontane alla mobilità continua di persone che hanno forgiato e riscritto la fisionomia di interi popoli. «Non c'è paese occidentale - ha scritto il filosofo Mariano Croce - che sia stato capace di mantenersi in vita senza ibridarsi per tramite dei flussi migratori.» «Eppure - continua il filosofo italiano - l'Europa tratta oggi la figura del migrante come quell'importuna anomalia il cui definitivo superamento le garantirebbe un futuro di rinnovata prosperità».
In Italia si è addirittura arrivati a parlare esplicitamente di "remigrazione", cercando di dare legittimità teorica e normativa ad un concetto che se applicato alla nostra storia comporterebbe il rientro forzato di decine di milioni di italiani dall'estero. Una "svolta culturale" regressiva, indice al tempo stesso di profonda ignoranza, di cinico egoismo e sostanzialmente di una pulsione razzista celata dietro ad una presunta purezza delle radici culturali e delle tradizioni storiche.
La "remigrazione" viene così presentata come un processo di ripristino dell'ordine rispetto al disordine creato da quei governi incapaci di erigere muri o barriere per fermare la cosiddetta "invasione" straniera. Il paradosso di tali proclami non è soltanto quello di non tenere conto della storia migratoria dell’Italia e dell'Europa (che semmai dovrebbero rafforzare una legislazione sulla cittadinanza inclusiva con riferimento tanto alle comunità emigrate quanto a quelle immigrate regolarmente residenti) ma anche quello di trascurare un dato per niente irrilevante, e cioè che il "vecchio continente" (e l'Italia 'in primis') è afflitto da una recessione demografica strutturale che dovrebbe consigliare politiche mirate e intelligenti proprio in materia di immigrazione.
L'equivoco è semplice per quanto drammatico: le migrazioni cessano di essere un tema di pianificazione strategica e di politica amministrativa per divenire materia di lotta identitaria e scontro ideologico, alla faccia della nostra storia e soprattutto delle nostre necessità. La ricerca del nemico, o meglio del "capro espiatorio", sul quale riversare tutte le nostre frustrazioni e al quale addebitare ogni responsabilità su temi delicati e complessi come sicurezza, crescita e sviluppo, finisce così con l'impoverire un dibattito politico che dovrebbe concentrarsi sui programmi e non sugli slogan.
La maniera miope e masochista con la quale il governo italiano ha affrontato in questa legislatura il tema della cittadinanza, negandola di fatto agli italiani in possesso di doppia nazionalità e rendendola sempre più difficile per i giovani stranieri regolarmente soggiornanti in Italia, è la dimostrazione più evidente e per certi versi imbarazzante di questo deficit di cultura politica e sociale.
Uno dei maggiori pensatori del secolo scorso, Jurgen Habermas, parlava di "patriottismo costituzionale" per sostenere la tesi di una società dove la convivenza potesse fondarsi sul comune riconoscimento dei principi costituzionali fondamentali. Per decenni è stato il principio grazie al quale i nostri emigrati hanno potuto integrarsi in Paesi e nazioni a noi distanti e non soltanto geograficamente. Un principio moderno ma non lontano dallo "status civitatis" degli antichi romani. Il contrario esatto della "remigrazione".
*Articolo del deputato Fabio Porta originariamente pubblicato sulla rivista "Comunità italiana" (agosto 2026).
Fabio Porta è deputato italiano del Partito Democratico, eletto in Sud America; è Vice Presidente del Comitato Permanete sugli Italiani nel Mondo della Camera dei Deputati
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