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Relato VII - Minha Nonna Maddalena

Por Annamaria Girotto*

Minha avó paterna era lavadeira, e trabalhou até idade avançada. Lembro dela muito curvada e queixando-se de dores nas costas. Lavava à mão, grandes quantidades de roupas. Colocava os lençóis numa grande bacia, mergulhados em água com cinzas, para ficarem mais brancos. Quando as roupas eram muitas, ela as lavava numa lavanderia pública, de grandes tanques, perto de sua casa. Me levava junto.

Ela e o nonno Pancrazio moravam numa única peça, onde cabiam apenas uma cristaleira, o fogão a lenha e uma cama grande, de ferro. Às vezes, a mãe me deixava lá, e na hora do lanche ela me preparava um pãozinho francês. Esfregava alho na casca crocante, e polvilhava com pó de camomila, com um fio de óleo por cima. Na cristaleira havia sempre uma jarra com limonada. Ela cozinhava num fogãozinho redondo, de uma só boca, e lembro do perfume gostoso do minestrone que fazia. Era carinhosa comigo e ria muito das minhas peraltices.

Nonna Maddalena gostava de comer bem, e, aos domingos se reunia com amigas para fazer algum prato mais elaborado.

Em 1950, quando viemos para o Brasil, o nonno já havia falecido. Mesmo assim, ela não quis vir conosco, por causa da idade avançada. Algum tempo depois, nos comunicaram que tinha falecido no hospital de Venaria Reale, arredores de Turin, Região Piemonte.

*Annamaria Girotto é artista plástica, nasceu em Turim, Itália, e residiu em Porto Alegre até o ano 2000. Atualmente, vive em Garopaba, em Santa Catarina. O texto faz parte de uma série de artigos e relatos nos quais a autora discorre sobre passagens vividas por ela e sua família na Itália e no Brasil. E-mail ricbonas@nbimoveis.com.br